terça-feira, 8 de março de 2016

É dia da mulher pra que a gente possa se lembrar que a luta continua


Não é dia da mulher porque todos os outros dias são dos homens...
É dia da mulher pra que a gente possa se lembrar dos sacrifícios que outras tiveram que fazer para que nós conquistássemos os direitos que temos hoje. 
Pra lembrar que há tempos atrás não poderíamos votar, não poderíamos trabalhar sem sermos julgadas, precisaríamos dos nossos pais e maridos para escolherem por nós.
É dia da mulher pra que a gente possa se lembrar que a luta continua, que os salários ainda não são equivalentes, que ainda culpam as vítimas pelos estupros e pela violência, e que Maria da Penha precisou quase morrer pra que conseguíssemos uma lei que quase nunca é cumprida. 
É dia da mulher para reforçar que não somos obrigadas a rir de piadas sexistas, que devemos reclamar da falta empatia dos nossos amigos homens e que todos que tratam o feminismo como questão ultrapassada se esquecem da mulheres que são submetidas a humilhações apenas por serem mulheres.
Enfim, é dia da mulher pra dar uma pausa, refletir sobre o que foi conquistado, e pensar no que ainda precisa ser reivindicado. 
Não é uma data simbólica pra ser transformada em flores e bombons.

                                                                                                                                              Ana B.

domingo, 22 de novembro de 2015

Da amizade que não quero mais

Eu queria poder dizer que todas as amizades que ficaram no passado foram dissipadas pelo tempo ou pela distância,  mas não é verdade. Algumas amizades eu afastei pela prudência.

A vida é muito complicada e eu gosto de afastar quem adiciona complicações desnecessárias. Sabe, a gente não precisa criar polêmicas com triângulos amorosos nos pequenos círculos... A gente já tem as polêmicas da divergência política, da opinião sobre o aborto, do estilo de vida... A gente já tem o cansaço da vida adulta, das obrigações profissionais, das responsabilidades... Enfim, eu sou muito feliz pelas decisões que tomei de afastar algumas pessoas, a vida ficou mais calma.

Infelizmente, continuo recebendo notícias. Notícias de que meu nome está sendo usado para alfinetar pessoas que me são caras... É uma pena que quem ficou no passado não queira aceitar que a nossa vida seguiu em frente. É uma pena que ainda ache que um dia a minha amizade com as meninas desse blog vá se dissipar. É uma pena que use fatos que não conhece, nem acompanhou, para atribuir a mim sentimentos que desconheço e à minha amiga uma culpa que nunca foi dela.

Sabe, existem milhares de maneiras de fazer uma coisa.. e para tudo que se quer fazer na vida, para todo sentimento/romance que se quer viver, se você procurar bem, você vai encontrar uma forma honesta, uma forma que não magoa ninguém. Tem gente que sabe fazer isso...

Eu só queria que quem um dia escolheu seu caminho, não ficasse mais usando meu nome e o nome das minhas amigas para pedir “perdão”. Primeiro porque nem é mais questão de perdão... Mas principalmente porque a vida continuou muito bem... Não existem saudades, não sentimos falta...


Eu sinto muito que o desfecho não seja satisfatório para todos os envolvidos... Mas é assim que é. Não adianta espernear, não adianta fofocar, não adianta alfinetar... Aceita que dói menos.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Scroll off

Nunca achei que fosse chegar para mim o dia em que a forma das pessoas se relacionarem com a tecnologia se tornasse um incômodo.
Meu pai me acusa de ser viciada em internet desde 1998, só para estabelecermos um parâmetro.

Eu, que sou eu, cansei.
De ser bombardeada por demonstrações cansativas de felicidades ou insatisfações eternas, de louvores e agradecimentos a divindades que nunca estiveram online, da esquerda, da direita, de ativismos e contra-ativismos sem fim. Isso tudo as vezes é chato e massante.

As pessoas podem escolher ser quem elas quiserem no mundo virtual. A triste realidade é que via de regra escolhemos ser pessoas chatas, cansativas, monotemáticas, inconvenientes, desinteressantes, hostis. Cansei.

Cansei de gente compartilhando links sem ler, opinando sem saber, repetindo improdutivamente e impensadamente conteúdos rasos. Cansei de protocolos de comunicação violados por falta de polidez e educação.

Cansei de pessoas cujo ápice de diversão no dia se resume a ter visto um meme, ou a uma breve flamewar que será em breve substituída por outra igualmente tediosa e improdutiva.

Cansei também de ter isso estendido à vida real, de raramente conseguir um encontro com algum amigo que não envolva meia hora de silêncio em meio a um "scroll infinito". Da primeira pergunta no restaurante ser " Qual a senha do Wi-Fi? ".
Cansei porque se quisesse fazer scroll de qualquer coisa, faria de casa, do meu Wi-Fi.

Eu cansei de gente, porque mais que nunca, pessoas se tornaram bichos very boring.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Das coisas que me deixam frustrada.



Existem coisas na vida que a gente nasce pra não fazer, pra não saber, pra deixar de lado... Mas muitas vezes a gente insiste, por motivos que variam de necessidade à teimosia. Por outro lado, existem as fatalidades, que são aquelas coisas que abalam nosso mundinho frágil, que nos fazem desejar um pouco de álcool no sangue ou 365 dias de sono... Afinal, se você não pode fazer nada para resolver o problema, melhor dormir até que ele seja dissipado.

Existem trocentas coisas na vida que eu não sei fazer, mas se nunca tentei ou não me fazem falta, então tudo bem. Porém, algumas inaptidões me deixam frustrada: varrer a casa, fazer as unhas, passar roupas e escovar os cabelos. Na adolescência eu não estava nem aí pra não saber varrer a casa ou passar as roupas, mas ficava chateada por não saber lidar com o meu cabelo ou com as minhas unhas. Por sorte, meus pais tem a mente mais enluarada que a minha e nunca acharam que as meninas devem saber fazer as coisas ditas de meninas, e tudo isso passou batido.

Até que finalmente, com quase 30 anos, me encontro sem dinheiro pra salão de beleza ou pra pagar uma diarista. Não são coisas que eu tive a minha disposição a vida toda, que isso fique claro. A diferença é que nunca tive a necessidade de estar sempre com as unhas feitas, nem de andar de roupa não amassada e com os cabelos impecáveis; são coisas que fazem parte da minha vida profissional e que preciso providenciar enquanto desempregada frequentadora de entrevistas... E como lidar? Fazendo um péssimo serviço... As roupas ficam semi passadas, a unha parece feita pela priminha de 10 anos e os cabelos ficam sempre presos. Só que continuo tentando fazer, porque cara, não é possível, precisam ser atividades mais democráticas! E me sinto triste, incompetente, chateada...

Além disso, a sarna do meus resgatado mais dependente do universo voltou... e ele está a 1.000 e tantos km de distância,ele não curte que passem remédio nele, ele precisa conversar e abraçar pra ficar bem... e as pessoas tem medo dele, apenas porque ele morde. E gente, morder é uma reação normal do cachorro... Assim como responder puto da vida é uma condição normal do ser humano, assim como postar sem pensar muito no que está escrevendo é uma condição normal da minha pessoa...

Eu só queria que a vida fosse mais simples, que eu pudesse “estar lá mesmo estando aqui”, que eu pudesse trazer um cachorro bravo e gigante junto com a mudança, que a vida fosse mágica e que ter saudades de casa e vontade de ir pra longe de casa nunca fossem duas coisas simultâneas.


P.S: Outra coisa que não sei fazer é ficar bêbada com Brahma... Se alguém já conseguiu, pfvr me diga como!

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A vida vai seguir e ninguém vai reparar?



“Eu cansei de ser assim, não posso mais levar...”
A gente cansa de ser máquina, de usar as máquinas, de ter a capacidade de sentir e de se entender comprometidas pelas máquinas.

“Só resta eu me entregar...”
A gente precisa se dar a chance de largar essa mecanização de tudo e nos entregar ao nosso autoconhecimento, como meio para obter algum tipo de alívio para essa loucura que a gente faz com a nossa própria loucura.

“Se tudo é tão ruim, por onde eu devo ir?...”
Talvez nadar contra a corrente do emburrecimento, cair fora do comodismo, largar do clichê de ser só mais um reclamão, arriscar novos métodos de descobrir por você mesmo e para você, como continuar resistindo às suas próprias desistências de si mesmo.

“Cansei de procurar o pouco que sobrou...”
Parece que não sobra o que não tinha que acabar, o que é para ser é medida exata. Sobrou um pouco?  É um pouco de nada, amigxs. 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Por que gosto tanto de Jogos Vorazes?



É um blockbuster, com certeza. Ainda assim, não é convencional, e é grandioso.

Além da mensagem poderosa e sedutora da revolução, do levante de um povo contra um "governo" opressor, como tantos outros, inclusive meu querido V de Vingança, Jogos Vorazes traz algo raro e que me é muito caro, inestimável: um filme sobre mulheres que não se submetem.

Katniss é uma protagonista como raras vezes se vê no cinema: não se submete ao homens e garotos em seu caminho, e não vê sua redenção no romance, tão facilmente a seu alcance, seja na fragilidade de Peeta, ou no senso de justiça e proteção de Gale. Johanna Mason é igualmente forte, determinada e dona de si, assim como muitas outras mulheres retratadas.

A resistência é liderada por Alma Coin, uma líder democraticamente escolhida e respeitada, o distrito 8 segue sob a liderança de uma comandante, Primrose Everdeen cresce em força e determinação, enquanto o Presidente Snow é assessorado por Egeria, uma mulher igualmente forte, mas alinhada com a opressão.

Jogos Vorazes trata de uma forma ímpar e sábia um tema urgente, ignorado ou tratado com jocosidade por nossa sociedade, de forma deliberada: a equidade de gênero.

Katniss, embora desejável, nunca foi tratada, em seu distrito ou mesmo na Capital, como mero pedaço de carne por ser mulher. Ela é tratada como objeto, descartável e pedaço de carne por ser humana, assim como Finnick, Peeta e todos os "Tributos", femininos e masculinos.

Embora apareça frequentemente em belíssimos e exóticos vestidos, mesmo privada de sua dignidade em diversas formas, em momento algum Katniss é objetificada exclusivamente para o deleite sexual masculino, mas sempre tratada como entretenimento de uma sociedade que embora sofra de muitas doenças sociais, desde o interesse literalmente mórbido pelas vidas alheias até a falta de compaixão com o sofrimento alheio, superou a patologia que ceifa diariamente muitas vidas femininas no nosso mundo pré-apocaliptico real.

Para nós, eu apenas espero que não precisemos ir tão longe e tão baixo em nossa humanidade antes de ver superado o machismo.