terça-feira, 13 de março de 2012

Quando a gente dança não quer parar

A espera já pareceu melhor do que correr o risco de enfiar os pés pelas mãos?


Quando criança passei horas e mais horas imaginando como eu conseguiria praticar esta segunda opção(era complicado imaginar como alguém encaixava os pés no lugar das mãos, um tanto sinistro!), não parecia nada fácil... Sempre aparecia essa expressão quando alguém contava "causo" escabroso ou algum "causo" de burrice e pelo tom de reprovação que ecoava sempre que alguém estava a contar, achava que seria difícil demais eu chegar a praticar algo desta natureza.


Mas com o tempo chegam tantas dúvidas... Cada tropeço de arrancar o tampão do dedo... E qualquer hora você pode se deparar com pensamentos do tipo: Quem/onde ando pisando, eu deveria estar dando uma mãozinha? Onde/quem estou  afagando, eu deveria estar chutando para bem longe? 

Malditos lugares de enfiar os pés e as mãos que deixam as pessoas confusas!

Bom, e já teve gente mais sabida do que eu a me dizer que isso é coisa inevitável nessa vida, e que trocar/enfiar os pés pelas mãos é o ciranda-cirandinha de gente grande(todo mundo dança)...

Tô dançando!

sábado, 10 de março de 2012

Da série "posts confusos": da maturidade ao caminhão de lixo.


Algo me diz que maturidade está relacionada com não conseguir mais dormir após as 10:00 e não acreditar mais que as pessoas possam mudar. Se vai haver mudança, ela tem que partir de mim...
E se a maturidade traz a capacidade de mudar coisas que parecem imutáveis aos meus próprios olhos, estou muito longe... Mais fácil eu conseguir acordar antes das 10 eternamente...

Eu consigo mudar minha rotina, meu pensamento a respeito da vida... Nem sempre por mais de 2 dias, nem sempre por 1 semana, mas mudo, mudo todos os dias, várias vezes, porque não vou desistir de acertar. Mas não consigo mudar os sentimentos, o jeito de lidar com as pessoas, não consigo fazer o que é certo para mim... Ainda que meu feeling avise o exato momento das decepções, eu vou caminhar rumo a elas calmamente, como uma idiota que se sente obrigada a repetir mais uma vez o tombo, esperando que com a prática pare de doer.

E minha vida vai entulhando de gente que já não deveria mais estar aqui, porque essa gente não muda e não vai mudar, e porque eu não mudo e não aprendo a mandar embora... Daí a maturidade foge de vez, e eu fico sonhando, pedindo pra vida mandar um caminhão de lixo, ou um tira entulho, ou um milagre, sei lá, algo capaz de levar essa gente daqui...  

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Da série "contos confusos": a menina incompreensiva.


Era uma vez uma menininha que precisava compreender, porque já era grandinha, pelo menos era o que diziam pra ela.Então ela ficava tentando compreender, e tentava e tentava e tentava... Mas a menina não conseguia compreender, e então ela se sentia muito pequenininha.

A menina foi crescendo, e ainda não conseguia compreender, e tentava, tentava, tentava... Então ela começou a fingir que compreendia e chegou a acreditar que compreendia, mesmo sem compreender coisa alguma.

Um dia a menina percebeu que ninguém mais tentava compreender as coisas que pediam para ela compreender, então ela percebeu que, na verdade, ninguém compreendia, mas as pessoas já estavam acostumadas a esperar que ela compreendesse, afinal, ela fingiu por muito tempo que compreendia.

A menina tentou contar a verdade, mas as pessoas ficaram bravas com ela, e gritavam que ela tinha que compreender, embora não soubessem explicar o motivo pelo qual ela tinha que compreender. Quando ela tentava explicar porque não compreendia, a voz dela ficava triste e as pessoas também ficavam tristes... A menininha passou a perceber que, apesar de não ser culpada por não compreender, ela preferia que as pessoas ficassem bravas do que vê-las tristes. Desde então, a menina foi conhecida como a menina incompreensiva e foi infeliz em negação para sempre, junto com todos aqueles que se sentiam injustiçados pela sua incompreensão.



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ana B responde ás 3 perguntas de Ana C


Quando li o título não fiquei nada interessada no conteúdo do texto. Não é a primeira nem a última vez que uma mulher manifesta uma atrocidade nesse sentido. É papo muito costumeiro em novelas, filmes e entre mulheres de classe média alta; conselho dado por muitas avós, mães e tias que possuem alguns valores questionáveis etc, e tal...

Parei no título e pensei: pow, porque essa menina tinha que ter meu nome? E resolvi abstrair, esquecer, pensar “affff”, lamentar pela Ana Cristina César que teve o codinome malfadado, e deixar pra lá... Só que o falatório na internet foi gigante... Aí eu acabei lendo a porcaria toda, mais alguns dos comentários e fiquei realmente abismada.

Ainda que o post tenha sido publicado em um blog acusado de ser um tipo de revista Cláudia virtual, o que me irrita é que esse tipo de declaração tem muito mais alcance do que a “gatinha” do texto pode imaginar, e incentiva um comportamento machista e misógino dos cabras ignorantes que habitam nosso planeta. Basta observar um dos primeiros comentário da própria publicação:

ela não falou nada além do que todas as mulheres pensam, mas não podem falar para não parecerem putas. Mas elas não são putas, porque as putas cobram à vista e você já sabe de antemão quanto vai gastar.”

Tudo bem, o cara já pensava assim, isso não aconteceu por causa do texto... Mas mulheres que agem dessa forma reforçam esse conceito... E esse conceito existe porque muitas mulheres insistem em depender dos homens quando não é necessário depender, por exemplo: comprar lençóis, pagar cinema, etc e tal.

E aí você vai ter sempre um amigo que vai sacar esse texto da manga quando estiver te explicando que as mulheres não são sempre legais e independentes como você, que elas só querem contas bancárias, blá blá blá... E o negócio que eles vão usar como argumento partiu de uma mulher que não nasceu na década de 30, que fez faculdade, que trabalha e que tem tara por uma característica financeira do indivíduo... Daria sono, se não fosse tosco o suficiente para causar insônia. Cheguei a me perguntar: em tempos de recessão essa menina viraria freira? Muito pouco provável... Posso estar sendo precipitada, mas a minha impressão é que sexualizar o lance de depender do homem para prover o próprio bem estar foi uma tentativa de tornar moderninho um dos costumes mais arcaicos do universo.

Nos comentários do texto a galera vai além e justifica, “é uma tara”, julgar isso é ser “conservador”. Cara, não vou julgar a menina, na verdade me compadeci. Pelo que entendi, ela tem uma queda por lençóis com trocentos fios e mercedes, ao mesmo tempo que não possui o mercedes na garagem e os tais lençóis em sua cama, é uma história triste. Não satisfeita com a condição de mendiga do luxo alheio, ela diz se sentir  superior por ser bem resolvida com isso... Mais uma vez ela tenta me matar de preguiça, porque pqp véi, se você é realmente bem resolvida com uma escolha sua, você não precisa tentar convencer o mundo de que isso te faz superior a ele. A xará me chamou pra briga, veja bem o que ela disse:

É uma puta hipocrisia criticar quem escolhe pessoas ricas para se relacionar

Cara, não vou negar que sou humana, e que tenho meus momentos de hipocrisia... Mas não nesse caso. Não me ocupo apontando o dedo e criticando meninas como a Ana C, mas não tenho gente assim no meu círculo social e nunca confiaria em alguém que prega esse discurso... Seja para sexo, casamento, amizade profunda, papo furado... Não tenho muita grana, e a pouca grana que tenho posso perder, e aí? As pessoas vão todas embora? Fecham-se as cortinas? Cortam-se os pulsos? Não é hipocrisia, é sensatez, é saber que as coisas passageiras não são permanentes (veja bem, a acusação é tão idiota que até mesmo a defesa é rídicula: passageiro x permanente, daqui a pouco vou fazer a piadinha do cobrador e do motorista... afffffffffff).


a Ana C elaborou 3 perguntas para provar minha hipocrisia, são perguntas tão difíceis, que eu sou capaz de responder, ilustrar, fazer um vídeo, citar um exemplo, repetir de trás pra frente, soletrar... Tudo isso enquanto assovio o hino nacional comendo bolacha de água e sal, viu? Ainda assim, vou optar pelo método tradicional para respondê-las:

Você namoraria alguém que ganhasse um salário mínimo se tivesse a oportunidade de namorar alguém que nem faz ideia de quanta grana tem?”

Eu nunca faço ideia de quanta grana a pessoa tem. Faço análise de crédito no meu trabalho, não na minha vida pessoal. A renda do cara só será relevante caso ele ganhe dinheiro de maneira ilegal (seja aviãozinho de traficante, seja o próprio traficante, seja colarinho branco...) porque não tenho vontade de viver aquele lance de visita íntima na prisão.

Você prefere que seu marido te busque no trabalho com uma Mercedes ou com um Fusca?”

Faz parte da minha vida gostar de caras que andam em fuscas, começou na adolescência e não consegui parar... Mas também não é uma tara, carros populares, carros de luxo, bicicletas... Por mim o cara é livre para ter o meio de transporte que quiser, mas realmente prefiro voltar do trabalho de carona com algum colega, ou sozinha, no meu carro, que aliás, é popular, porque não sou rica (será culpa dos meus genes?).

Você não trocaria o picadinho da birosc onde você janta pelo Fasano?”

Birosca é legal, eu realmente me sinto mais a vontade em lugares mais simples e com gente que palita os dentes sem medo de ser feliz. Já fui vista, várias vezes, por pessoas do trabalho, da família e da faculdade, em lugares que eles consideram “infrequentáveis”... Quando questionavam: “como você tem coragem de ir naquele lugar?”, eu respondia: “Se você ver uma pessoa em um lugar tosco e julgá-la decadente, pensa com carinho, poderia ser a Ana B”. Aí a xará pode argumentar que o meu problema é nunca ter experimentado um jantar no Fasano.. Véi, se esse jantar vai mudar meus princípios, não é jantar, é macumba.

Tudo respondido, agora posso dormir em paz? Não, parece que tenho mais algumas coisas a dizer...

Talvez eu não tenha genes tão bons quanto os da minha xará, talvez eu tenha mais bom senso...Talvez isso nem seja relevante e esse meu post tenha sido muito desnecessário... Mas realmente, eu precisava passar por esse momento verborrágico, sei lá...

A vida já é difícil por si só, sem que discursos toscos como o dessa guria sejam publicados em blogs populares. A mulher foi tratada por milênios como mercadoria, e os caras olhavam os dentes, conferiam as características da mocinha, e decidiam se era aquela ou se seria outra... Pessoas lutam diariamente por direitos iguais, por respeito, mas algumas meninas jogam areia nessa luta, porque elas preferem o mercedes do cara, é mais fácil do que batalhar o próprio mercedes. Não acho que seja puta, mas também não acho que seja inteligente, acima de tudo, acho que não seria da minha conta, caso não tivesse se tornado publico e não desse argumentos à bandeira da misoginia.

Fora isso, admiro a determinação de quem prefere passar a vida na academia pra garantir o corpão e o cara do mercedes ao invés de passar a vida batalhando a própria grana e os próprios bens. Não deixa de ser uma vida difícil, que exige muito e talz... Mas, na minha opinião, oferece muito pouco em troca. 

Peço desculpas pelo texto longo, pela linguagem chula, por ter escrito tanta coisa tão de qualquer jeito... Espero que vocês continuem lendo o blog, mesmo eu sendo pobre e postando improvisado. ;)



segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Buááááaááá... zzzzzzz


Eu não sou de chorar. Não é bem meu esporte preferido, normalmente prefiro ficar triste na companhia de um x-bacon a fazê-lo na companhia de lágrimas. Além disso, fui uma criança muito chorona, e gastei 90% do estoque de lágrimas que eu tinha pra vida inteira antes de completar 10 anos.

Nem por isso sou imune a rompantes...

Recentemente tive um desses momentos em que as lágrimas resolveram me visitar... Aí, pra ajudar, eu estava no meu quarto, que é meio apertado, e volta e meia via a minha imagem avermelhada e deprimente no espelho.

Na hora, eu não ri... Mas nem por isso deixei de rir da cena mexicana depois. Minha pessoa chorando, como se não houvesse mais nada a fazer, como se tudo estivesse perdido, como se eu fosse a Maria do meu bairro.

Além do riso, a lembrança da cena me provoca também confusão. E até agora fico pensando... Chorei pela dor ou por saber que há muito tempo não sei perdoar as dores que certas pessoas me provocam?

De qualquer forma, não há mais nada a fazer, o mundo está mesmo perdido... Buá, buá, buá. zZzzzzzzz...
Aliás, já repararam que o choro longo e desesperado quase sempre acaba em sono? Nem sei se é porque a dor é significativa, talvez chorar, além de inútil, seja entediante...

Claro, cada um tem sua teoria... Cada um é cada um, etc e tal. Só um conselho: chorar e lidar com o espelho ao mesmo tempo, ainda que possa provocar riso posteriormente, é meio traumatizante, não recomendo.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Daquela expressão pré-fabricada



 "Me perdoa
daquela expressão pré-fabricada
De tédio,
tão canastrona
que nunca funcionou nem funciona"
(A vida é doce-Lobão)




Quando criança achava que perdão era sempre coisa boa, era sempre um ato de renovação, era coisa de gente que queria viver de coração leve. A mãe vivia dizendo que era falta de educação não pedir desculpas.

Acho que os meus primeiros pedidos de desculpas foram para meu irmão, quem tem irmão sabe como são essas coisas, ainda mais se ele for mais novo. Sempre tinha a tal da “brincadeira sem graça”, nada melhor do que essa brincadeira com o irmão, com os primos ou com os amiguinhos da escola.

Quando criança eu pedia perdão por tudo, lembro uma vez de pedir desesperadamente desculpa pro meu coelhinho depois que o segurei pelas orelhas para limpar a casinha dele, lembro de trapacear nas brincadeiras com os primos mais novos e ao perceber que alguém tinha machucado ficava toda desconfiada pedindo para que me desculpasse.

E vocês acham que depois de ser desculpada eu nunca mais fazia tais coisas? Nada, fazia novamente, algumas vezes até pior e correndo o risco de uma conseqüência mais drástica. Sorte foi a do coelho que nunca me desculpou.

E depois que a gente cresce isso muda totalmente? Creio que não....

Só que as pessoas vão ficando mais duras em pedir desculpas e em perdoar. Elas vão deixando histórias bonitas de lado porque não aprenderam a pedir perdão, alguns perdoam para não terem mais que discutir e outros perdoam mas não matam o rancor. Talvez o medo de pedir perdão e não ser perdoado equivale ao mesmo de não pedir perdão e continuar se sentindo culpado, mas aí cada um paga o preço que deseja ou que sua covardia deixa.

Hoje em dia não vejo o direito/dever de pedir perdão como algo tão positivo como achava quando criança, não é sempre bonito positivo perdoar, gente grande complica tudo. E o perdão em excesso parece criar uma estabilidade das pessoas no erro, na mentira, na hipocrisia... Parece que quanto mais você perdoa alguém, menos você se perdoará na próxima vez que tiver de perdoá-lo.

Perdoem a incredulidade, mas é isso aí!